PROTEUS – CULTURA, COMPLEXIDADE, COMUNICAÇÃO

A constante metamorfose das questões sociais, observada por autores como Giddens (1991), Bauman (1999), Beck (2016), dentre outros, exige das ciências humanas a necessi-dade de uma abordagem crescentemente aberta, multidimensional e transdisciplinar. No sentido de analisar fenômenos cada vez mais complexos e abrangentes, incompreensíveis por meio dos antigos modelos científicos unidimensionais, redutores e fragmentados, Edgar Morin (1994) propõe a necessidade de uma sociologia do presente, atenta tanto às crises latentes da sociedade quanto aos acontecimentos minoritários, mas que comportam um caráter revelador e modificador, movimentando-se entre o microssocial e o macroplanetário.

Um fenômeno, portanto, deve ser estudado em suas múltiplas causalidades, substituindo-se, assim, o paradigma disjuntor por um outro que comporte as relações de antagonismo e complementaridade, bem como as dimensões de inacabamento e incerteza do conhecimento, observando também os seus limites. Proteus – Cidade, Complexidade, Comunicação parte de uma proposta motivada pela convocação ao diálogo entre as disciplinas, as artes e as ciências.

São desenvolvidos estudos acerca da relação entre as múltiplas tecnologias de informação e comunicação (escrita, livro, computador, fotografia, TV). Igualmente, são desenvolvidos estudos dos efeitos dos dispositivos e equipamentos da indústria cultural (cinema, jornalismo, internet, literatura) nas práticas de si e nas artes da existência, e investigações teóricas e empíricas sobre os conflitos da vida social.

Tendo como base o pensamento complexo de Edgar Morin, além de outros teóricos contemporâneos, o laboratório Proteus aborda a dinâmica da cidade e da comunicação em uma perspectiva multidisciplinar, no intuito de compreender seus vários entrelaçamentos: éticos, estéticos e políticos. A humanidade atualmente habita em sua maioria os centros urbanos, enquanto as tecnologias da informação amplificam os processos de comunicação. Se o habitar é comunicar; se a comunicação (assim como a economia, a política e os demais aspectos da vida social) vem sendo redimensionada pela sociedade da informação, é hora de entender a partir daí como as práticas políticas, comunicacionais e culturais se manifestam no espaço urbano contemporâneo e que tipo de subjetividade ele produz.

Sennett (1999) observa a relação etimológica entre civilidade e cidade, mas aponta a tendência para uma arquitetura moderna que inviabiliza a coexistência citadina, tornando-a hostil e, portanto, incivilizada. Ao mesmo tempo, propugna um conhecimento das dimensões éticas, estéticas e políticas da vida urbana no sentido da concepção de uma cidade aberta, na qual seus habitantes sejam capazes de lidar com sua complexidade inerente e necessária. No início do cristianismo, diz Sennett (2018), “cidade” podia designar tanto a Cidade do Homem como a Cidade de Deus – um planejamento celeste que não encontrava paralelo no mundo da vida, mas resistia enquanto ideal. Os franceses usam duas expressões ligadas à cidade para distinguir um lugar físico (ville) de uma mentalidade formada de percepções, comportamentos e crenças (cité). Nesse sentido, Proteus objetiva também repensar sobre as relações estabelecidas na cidade por meio de seus fluxos comunicacionais, arquitetônicos, artísticos, sociológicos, históricos e culturais.

Dentro das questões teóricas e práticas fomentadas pelas pesquisas, o Proteus – Cidade, Complexidade, Comunicação, entre outras atividades, pretende gerar startups, incubadoras, empresas juniores, empreendedores sociais e oficinas de TI com aplicabilidade de interesse social e acadêmico. O fomento de startups, incubadoras, empresas juniores e empreendedorismo social deve atender as demandas sociais concernentes às pesquisas desenvolvidas, por encomendas de entes públicos ou privados, na busca de soluções sociais para as cidades.



São dois os grupos de pesquisa e extensão diretamente vinculados ao Proteus:

Marginália: Grupo de Estudos Transdisciplinares em Comunicação e Cultura , atualmente liderado pelo professor Alexandro Galeno Araújo Dantas

Mythos-Logos: Religião, Mito e Espiritualidade, liderado pelo professor Orivaldo Pimentel Lopes Junior

ESTRUTURA
Este laboratório tem como estrutura física as salas 205 e 922 do prédio administrativo do Centro de Ciências, Letras e Artes – CCHLA, equipadas com mobiliário, computadores, impressoras, softwares, frigobar.

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